Po-ethic inquiry #6: a dor do mundo

Por Dino Siwek

A dor do mundo
dança em mim
a dor me é dada
matéria etérea ancestral
sussurro presente de gerações passadas
A dor do mundo
em mim escolhe se fala ou cala
mas é luxúria guardá-la
se por todo lado
a ferida reabre a cada segundo

A dor do mundo
é também da terra
das árvores sangrando
do solo envenenado
de tanto povo exilado

A dor do mundo
tem poros

por onde é possível escoá-la
ainda que a rachadura mais funda
esteja há tanto lacrada
A dor do mundo
é também de quem fere
de quem segura a faca
e de quem a herda

A dor do mundo
não tem cura
nem consolo
nem dono
mas tem criadores
reprodutores
promotores
pacientes
E toda gente que nem sabe que sente

A dor do mundo
há de ser compostada
e de tanta merda espalhada
brotará uma outra semente
cujo fruto não trará redenção
nem as folhas verdes esperanças
mas frutos maduros
quem sabe
ou raízes entrelaçadas na lama

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