Teia das 5 curas

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Formação da teia de educação “A teia das 5 curas: somos todos parentes”, parte da rede “Aos cuidados da Terra” (English version below)

De 1 a 5 de maio de 2019 realizou-se na casa de apoio da comunidade Indígena Pitaguary, município de Pacatuba, no Ceará, o encontro: Desatando o nó da separação ilusória entre o homem e a natureza: desenrolando a corrente da responsabilidade. O encontro foi coordenado por Benicio Pitaguary, Rosa Pitaguary e Vanessa de Oliveira Andreotti, com suporte da Fundação Musagetes e do Conselho de Pesquisa das Humanidades e Ciências Sociais do Canadá.

Doze etnias Indígenas brasileiras foram convidadas a participar do encontro e onze puderam participar dos eventos no Ceará para a formação do projeto de educação “A teia das 5 curas”, parte da rede “Aos cuidados da terra-mãe”. A rede tem como objetivo criar espaços de reeducação para a discernimento, sanidade e sobriedade frente as crises globais através de uma pedagogia que tem a terra-mãe como enfoque central.

Dois participantes Indígenas do Canadá participaram do evento: Elwood Jimmy (Cree) e Sara Roque (Anishnabe). O programa do encontro integrou cerimônias, conversas, caminhadas na mata, banhos de cachoeira, palestras sobre a história da luta da comunidade Pitaguary e o início da elaboração de um projeto de educação e pesquisa com o Canadá sobre as práticas indígenas que podem ajudar com as crises ecológicas, de saúde e sociais que o sistema moderno-colonial criou.

A rede e o projeto promovem a cura e o bem estar integrados ao metabolismo do planeta, incluindo os humanos, não humanos, os encantados e a terra. O projeto enfoca a cura dos pensamentos, dos sentimentos, das relações, dos ciclos ecológicos e das trocas económicas. A abordagem educacional é baseada em uma pedagogia que coloca a terra no centro como a mãe que sustenta a vida.

Aprendendo a abrir os olhos, o corpo, o coração, as mãos e os sonhos

O projeto com o Canadá busca o suporte financeiro primeiramente para atividades nas áreas de educação (informal) e pesquisa participativa. O projeto servirá de plataforma para a busca de recursos para suporte de infraestrutura de apoio para espaços educacionais (infraestrutura básica, melhorias e manutenção de espaços pedagógicos).

O projeto propõe quatro tipos de atividade de educação e pesquisa:

  1. Mapeamento das atividades de cada aldeia em relação ás 5 curas identificadas e elaboração de estudos de caso multi-mídia para cada aldeia, incluindo a capacitação de colaboradores indígenas nos processos de pesquisa e produção multimídia
  2. Encontros de compartilhamento em 5 aldeias participantes para o aprendizado experiencial dos fundadores da teia para o compartilhamento de práticas, aprendizados e idéias, assim como o fortalecimento das relações dentro da rede
  3. Visita de uma delegação a comunidades Indígenas no Canadá (com possível parada no México para visitas a comunidades Nahuatl e Purepecha) para trocas com comunidades na esfera internacional ligadas ao projeto
  4. A elaboração colaborativa de um projeto pedagógico e currículo para reeducação de não-Indígenas em processos pedagógicos experienciais nas aldeias que se disponibilizarem a criar espaços de acolhimento. Essa etapa será feita em colaboração com o coletivo “Apontando rumo a futuros decoloniais” da Universidade da Columbia Britânica e com a organização sem fins lucrativos “Uniseres” sediada no Ceará. Esse processo de re-educação é diferente de processos de turismo, incluindo turismo comunitário. Nesses processos pedagógicos, não-indígenas do Brasil e do exterior irão visitar as comunidades aderindo a um protocolo ético-pedagógico e terão a oportunidade de receber ensinamentos e práticas de saúde cognitiva, mental, afetiva, relacional e de bem estar ecológico, oferecendo em troca a amizade e a redistribuição de recursos que podem, no futuro, trazer uma renda mais segura para as comunidades.

A primeira etapa do projeto de pesquisa e educação do Canadá, se aprovada, pode ajudar inicialmente por 3 anos. A segunda etapa pode dar suporte a atividades por um período de 7 anos. Através desse projeto, teríamos suporte para encontros, treinamentos, pesquisas e disseminação da rede no Brasil e no exterior quando as comunidades que escolherem receber visitantes estiverem prontas para isso. Vamos usar tanto a rede quanto o projeto como plataforma para buscar financiamentos que ajudem com a infra-estrutura nas aldeias para receber os visitantes (infraestrutura básica, de melhorias e de manutenção).

O projeto no Canadá vai ser coordenado pela professora Vanessa de Oliveira Andreotti, que tem descendência Guarani e que é pesquisadora na Universidade da Columbia Britânica no Canadá.

No próximo encontro que será entre 9 e 13 de outubro de 2019 representantes da rede vão revisar e discutir o texto final da proposta que será submetida ao Conselho de Pesquisa no Canadá em Novembro de 2019. Se o projeto for aprovado, o início oficial das atividades da primeira etapa será em Maio de 2020.

Aldeias presentes: Pitaguary, Tremembé Barra do Mundaú, Anacé, Guarani, Jenipapo-Kanindé, Kanindé, Fulni-ô, Pataxo, Hunikui, Xacriabá, Pataxó

[English version]

In Earth’s care: weaving the web of 5 cures (cognitive, affective, relational, economic, ecological)

The Indigenous gathering “Un-tying the knot of the illusionary separation between man and nature: unravelling the chain of responsibility” took place at the Pitaguary Indigenous community in Pacatuba, Ceará, Brazil, from 1 to 5 May 2019. The gathering was organized by Benicio Pitaguary, Rosa Pitaguary and Vanessa de Oliveira Andreotti with travel support from the Musagetes Foundation and the Social Sciences and Humanities Research Council of Canada.

Representatives from twelve Indigenous groups were invited to take part in the gathering and eight were able to travel to the place of the event to co-create the educational network (web) “In Earth’s care: the web of 5 cures”. This network will enable spaces for re-education for discernment, sanity and sobriety as we face collectively unprecedented global challenges, using a pedagogy that centers the earth as living entity (mother).

Two Indigenous participants from Canada were also invited to take part in the event: Elwood Jimmy (Cree) and Sara Roque (Anishnabe). The gathering involved several ceremonies, talking circles, trail walks, waterfall visits, talks about the history of struggle of the host community, and the structure of a project proposal about Indigenous practices that can contribute towards navigating the ecological, mental health, and social crises that modern-colonial society has created.

The network/web and the project promote forms of healing and wellbeing that are integrated with the metabolism of the planet, including humans, non-humans, and the land itself. The framework promotes the recalibration of the cognitive, affective, relational, economic and ecological dimensions of being. The educational approach is based on a pedagogy that centers the Earth as the life giver and support entity for all beings.

 

 

 

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